O Ministério do Turismo lançou um guia inédito voltado ao atendimento de turistas neurodivergentes no Brasil.
Publicado em: 25/05/2026 às 12:57
Por: Thayná Brandão de Moraes

Viajar deveria ser uma experiência de descanso, descoberta e acolhimento. No entanto, para muitas pessoas neurodivergentes, situações comuns em aeroportos, hotéis e atrações turísticas ainda podem gerar ansiedade, desconforto e sobrecarga sensorial. Pensando nisso, o Ministério do Turismo lançou um guia inédito voltado ao atendimento de turistas neurodivergentes no Brasil.

O material foi apresentado durante o Salão do Turismo, realizado em Fortaleza, no Ceará. Além disso, surge como uma tentativa de tornar o setor turístico mais acessível, humano e preparado para receber diferentes perfis de viajantes.

Chamado de “Guia Para Atender Bem Turistas Neurodivergentes”, o documento reúne orientações práticas para hotéis, aeroportos, restaurantes, eventos e atrativos turísticos. A proposta é simples. Porém, extremamente necessária: ajudar profissionais do setor a compreenderem melhor as necessidades de pessoas autistas, com TDAH, dislexia e outras condições neurodivergentes.

O guia foi elaborado a partir de uma pesquisa nacional desenvolvida pela Universidade do Estado do Amazonas, em parceria com o Ministério do Turismo. O levantamento ouviu 761 pessoas entre fevereiro e março de 2026, incluindo pessoas neurodivergentes, familiares e profissionais ligados ao turismo.

Os dados chamam atenção. Segundo a pesquisa, 90,1% dos entrevistados afirmaram já ter sofrido julgamentos relacionados ao comportamento neurodivergente durante viagens. Além disso, quase 90% disseram que equipes de atendimento não compreendem suas necessidades específicas.

Entre os problemas mais citados aparecem excesso de barulho, luz intensa, filas longas, ambientes lotados e mudanças inesperadas na programação. Para muitos viajantes, essas situações geram sobrecarga sensorial e dificultam até mesmo atividades simples de lazer.

Outro ponto importante identificado pela pesquisa foi a falta de previsibilidade nos ambientes turísticos. Informações pouco claras, sinalização confusa e ausência de espaços tranquilos acabam tornando a experiência mais cansativa.

Por @euotavvio

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Primeiro tem que saber atender os daqui mesmo.
Ahhh que notícia maravilhosa! Eu nichei minha agência para atender o público Neurodivergente depois que recebi meus laudos, entendo na pele as dores que passamos. 🫂
Como pessoa autista e cega, ler isso me atravessa de um jeito muito profundo. Muitas pessoas ainda associam deficiência apenas ao que é imediatamente visível, e esquecem que existem dores silenciosas, adaptações constantes e um desgaste emocional enorme por trás de quem passou a vida inteira tentando “caber” em ambientes que nunca foram pensados para nós.

Autistas adultos, especialmente os diagnosticados tardiamente, frequentemente cresceram aprendendo a mascarar desconfortos, suprimir crises sensoriais e transformar exaustão em aparente funcionalidade. E isso cobra um preço altíssimo no corpo, na mente e na autoestima.

A acessibilidade no turismo — e na vida — não deveria ser vista como privilégio ou gentileza, mas como respeito básico à existência humana. Ambientes previsíveis, comunicação clara, redução de sobrecarga sensorial e equipes preparadas fazem diferença real na dignidade e na autonomia de pessoas neurodivergentes.